quinta-feira, 14 de abril de 2011

Tarde demais

O canto dos pássaros me embalava hipnoticamente. O vento circulava em um chilrear harmonioso espalhando perfumes de amores perdidos. O som das águas do riacho batia contra as pedras em um ritmo constante, entrando em perfeita harmonia com toda essa minha existência. Abri a mente paras os sonhos que poderiam vir, para a inspiração que nunca chegou e, principalmente, para o amor que nunca encontrei. Ilusões desacreditadas, pensamentos pueris, brincadeiras não mais engraçadas. De repente me senti envolta por todo aquele arrependimento irremediável, a minha vida que se passou em um sonho e se esqueceu de viver. Esta mesma, de tão cruel, esqueceu-se de sorrir ou de simplesmente esquecer. E que, no entanto, acabou sendo esquecida.

“Se eu pudesse voltar atrás...”

Um pensamento clichê, decerto. Eu não podia e nem voltaria atrás, ao início. Estava quase no fim desta insignificância sem nenhuma história para contar. Eu era o nada. Eu era menos que o nada. Passei todos esses anos apenas existindo, sem viver. Afinal, o que era viver?

Eu não sabia, nunca havia experimentado esta sensação da qual tanto falavam. Havia me esquecido de ser feliz, de notar as pequenas e singelas coisas, estas mesmas que faziam toda a diferença. Eu não sorria mais, não encontrava nenhum motivo, embora houvesse vários. As pessoas ao meu redor foram sumindo aos poucos, uma por uma. Até aquele que dizia me amar. Talvez fosse verdade, talvez ele tivesse me amado. Risos, piadas, segredos. Tudo isso fazia parte de um passado do qual eu mal me lembrava. Estava distante, longe de mim. Agora, só me restava o arrependimento e este lápis para transmitir tudo que sinto.

Olhei ao meu redor, em busca de um sorriso. Admirei cada face que se mostrava tão feliz, feliz por nada. Apenas por ser feliz. Uma inveja inofensiva se abateu sobre mim, uma mistura de arrependimento, infelicidade, nostalgia e agonia. Dentro de mim um conflito, até que já não pude agüentar mais e chorei. Chorei de verdade. Chorei como há nunca havia chorado antes. Se eu pudesse contar todas as lágrimas que chorei nesta tarde, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva...

De repente senti um arfar ritmado ao meu ouvido que fez-me despertar do mais íntimo de meu ser. Era um garoto, devia ter no máximo uns cinco anos e se encontrava todo enlameado. Eu o olhei de soslaio procurando esconder todos aqueles vestígios de fraqueza.

- O que é? – perguntei rispidamente.

Ele sorriu, ignorando a minha pergunta. E ao ver meu olhar desconfiado sorriu mais ainda. Um sorriso puro, como eu nunca havia visto. Era como um anjo. Em um gesto singelo e inesperado, ele sorriu novamente e me entregou uma flor. Só então percebi que novamente eu chorava, mas não de tristeza ou arrependimento, e sim de emoção. Admirei àquela pequena flor e sorri. Sorri como há muito não sorria. A alegria penetrou meu ser deixando-me eufórica. Era como se o segredo de toda a minha felicidade estivesse contido naquelas pétalas. Agradeci comovida e ele se foi. Aquela foi a única vez que eu o vi. Talvez não fosse tarde demais...

Por J.M.

3 comentários:

  1. Toda virtude de palavras.
    Previamente se deve ter respostas
    As minha candolencias são, por si so
    um agradecimento, apreço,um prestijo.
    Ao contrario de se dizer sobre o passado estou resumido em falar sobre um proximo futuro,
    sera? concertaza o doce não seria tão doce se não existice o amargo.
    Do mesmo principio esta a feliciadade, pois não seriamos tão, se naõ existice a tristeza.Mas devemos ficar felizes por saber que a tristeza e apenas um apretecho que que aja felicidade em abundancia.
    BARÃO DAS PALAVRAS.

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  2. LINDO TEXTO, aliás, lindo blog, adorei tudo, parabéns linda, to te seguindo.

    http://soentreelas.blogspot.com

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  3. Muito obrigada, vou dar uma olhada no seu ^^

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