Havia poeira no sol que penetrava pela janela. Viu quando ela bateu as asas. Era uma borboleta enorme. Verde. Abriu a janela e ela voou para fora. Era feliz, pensou ela, recuperara sua liberdade. De alguma forma, aquela bela borboleta a fizera lembrar aquele garoto misterioso que havia encontrado pela manhã. Sorriu. A brisa de outono roçagava levemente a sua pele trazendo, de longe, lembranças das quais ela não conseguia se livrar, nem queria. Lembrou-se dele novamente e mais uma vez sorriu. Aquele sentimentozinho persistia, ela nem sabia que nome dar aquilo. Aquele friozinho na barriga, aquela vontade inebriante de cantar, dançar e sorrir por nada. Respirou fundo. Rodopiou. Sorriu, chorou, sorriu novamente. Era uma junção confusa de sentimentos. O rosto dele veio a sua mente, sua voz, sua respiração ritmada, e um olhar oblíquo e misterioso. Ela se perdia nos enigmas daquele olhar, se embalava no som de sua voz e se encantava com suas palavras. E, principalmente ela não entendia por que continuava ali, naquela janela, se tudo o que mais ansiava era correr para seus braços acolhedores e se derreter em seu sorriso abrasador. Ela não sabia o que isso era ao certo. Era uma mistura de esperança, desconfiança, temor e suave desespero. Ela sorriu, lembrando agora de todos os detalhes daquele rosto embriagante. Ele não era bem real: era como um sonho.
Por J.M.
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